12 de abr de 2014

As cobras mais venenosas do Brasil

As serpentes (cobras) mais venenosas do Brasil são: (1º) a coral verdadeira, (2º) a cascavel, (3º) a surucucu pico-de-jaca e (4º) a jararaca


Classificar as cobras ou serpentes mais venenosas do Brasil é um assunto um pouco complexo, pois temos de avaliar a quantidade de acidentes ofídicos, bem como as consequências do envenenamento. No entanto, quatro delas são bastante significativas, como a coral verdadeira, a cascavel, a surucucu pico-de-jaca e a jararaca. A coral verdadeira é a mais venenosa, embora cause apenas 1% dos acidentes com cobras no país. Em segundo lugar, está a cascavel; em terceiro, a surucucu pico-de-jaca; e, em quarto, a jararaca, responsável por mais de 80% dos acidentes no Brasil. Independente de seu tamanho, uma única picada de uma dessas criaturas pode ser tão letal quanto o ataque voraz de um grande carnívoro. Por outro lado, as serpentes (ou cobras) contribuem, e muito, para a medicina. O Captopril (hipertensão), isolado do veneno da jararaca, é um exemplo disso, além da cola para fins cirúrgicos. Daí a importância de se preservar as espécies, respeitando-as.

Hábito

As cobras ou serpentes que apresentam pupilas dos olhos elípticas têm hábito noturno. Já as que apresentam pupilas dos olhos arredondadas têm hábito diurno. Outras espécies apresentam atividade tanto durante o dia como a noite.

Sentidos

As cobras dardejam a língua bífida (bifurcada) para capturar moléculas odoríferas do ambiente, transportando-as até o Órgão de Jacobson, situado no céu da boca, onde processam as informações. Sua audição é pouco desenvolvida, já a visão é mais desenvolvida em espécies de hábitos diurnos e arborícolas e mais reduzida nas espécies fossoriais (subterrâneas). Há cobras, como a cascavel e a jararaca, que podem detectar a temperatura do corpo dos animais para caçá-los.

Alimentação

As cobras são carnívoras, predando vários tipos de animais, como roedores (ratos e camundongos), lagartos (calangos e lagartixas) e anfíbios anuros (sapos, rãs e pererecas) são os principais tipos de presas. Da mesma forma, podem se alimentar de marsupiais (cuícas), morcegos, salamandras, girinos, peixes, minhocas, lesmas, caramujos, centopeias e até outras cobras. Cada espécie de cobra tem um tipo de dieta: algumas alimentam-se apenas de um tipo de presa (chamadas de especialistas) e outras, vários grupos animais (chamadas de generalistas).
  
Reprodução

As serpentes apresentam sexos separados, ou seja, existem indivíduos machos e fêmeas. Os machos apresentam o hemipênis, que fica alojado na base da cauda. No momento da cópula, esse órgão genital infla-se com sangue e é introduzido na cloaca da fêmea. A maioria das serpentes é ovípara (colocam ovos) e outras são vivíparas, dando à luz filhotes já formados.
  
As cobras mais peçonhentas do Brasil
  
Coral Verdadeira    
  
A peçonha da coral verdadeira é neurotóxica, ou seja, atinge o sistema nervoso, causando dormência na área da picada, problemas respiratórios (sobretudo no diafragma) e caimento das pálpebras, podendo levar uma pessoa adulta a óbito em poucas horas.

A coral verdadeira geralmente é identificada pela posição das presas ou pela quantidade e delineamento dos seus anéis. Ela tem hábito noturno e vive sob folhas, galhos, pedras, buracos ou dentro de troncos em decomposição.  Ao se sentir acuada ou ser atacada, a cobra coral rapidamente contra-ataca, por isso recomenda-se o uso de botas de borracha cano alto, calça comprida e luvas de couro, bem como evitar colocar a mão em buracos, fendas, entre outros.

A pessoa picada pela coral deve ser levada imediatamente ao médico ou posto de saúde, além da captura da cobra ainda viva. Deve-se evitar que a pessoa se locomova ou faça esforços, para que o veneno não se espalhe. Da mesma forma, deve-se evitar técnicas como abrir a ferida para retirar o veneno, chupar o sangue, isolar a área atingida, fazer torniquetes, entre outros, sendo o soro a melhor opção.

O tratamento é feito com o soro antielapídico intravenoso.

Cascavel

A cascavel possui um chocalho característico na cauda. Em vez de sair completamente de sua pele antiga, mantém parte dela enrolada na cauda em forma de um anel cinzento grosseiro. Com o correr dos anos, estes pedaços de epiderme ressecados formam os guizos que, ao vibrarem, balançam e causam um ruído bastante característico.

Embora no conceito popular o número de anéis do guizo é interpretado como correspondente a idade desta cobra, isto não é correto, pois, no máximo, poderia indicar o número de trocas de pele. A finalidade do som produzido pelo guizo é de advertir a sua presença e espantar os animais de grande porte que lhe poderiam fazer mal.  É uma ótima chance de evitar o confronto. O veneno da cascavel provoca visão dupla e paralisa os músculos da vítima.

O soro utilizado contra a picada desta serpente é o anticrotálico.

Surucucu pico-de-jaca

A surucucu é a maior serpente venenosa da America do Sul e uma das maiores do mundo, podendo  atingir até 4,5m de comprimento. Suas presas medem 3,5cm. Seu corpo é marrom e marcado com formas que lembram losangos marrom-escuros, revestidos por faixas esverdeadas.

Sua cauda não tem guizos, como a cascavel, mas é capaz de emitir um determinado som, esfregando contra a folhagem um pequeno osso que possui no extremo da cauda. Assim, como a cascavel, a surucucu também dá sinal de que está incomodada por terem invadido seu território. Ela é capaz de dar um bote com aproximadamente um terço do tamanho do seu corpo.

Quando alguém é picado por uma surucucu, apresenta o seguinte quadro: queda na pressão arterial, inchaço e dor no local da picada, diminuição da frequência cardíaca, alteração de visão, sangramentos na gengiva, pele e urina, vômito, diarreia, necrose e insuficiência renal. O veneno da surucucu, de ação neurotóxica, é extremamente letal. Por isso, deve-se procurar rapidamente ajuda médica.

O soro utilizado contra a picada desta serpente é o antilaquético/antibotrópico laquético.

Jararaca

A jararaca possui corpo marrom, com manchas triangulares escuras, faixa horizontal preta atrás do olho e região ao redor da boca com escamas de cor ocre uniforme. Ela é a principal causadora de acidentes ofídicos nas Américas, assim como mortalidade. Sem tratamento, a taxa de mortalidade é estimada em sete por cento, mas, com uso de soro antiofídico e tratamentos de suporte, esta taxa é reduzida para entre 0,5 e três por cento.

O veneno da jararaca apresenta forma de ação proteolítica, provocando necrose e inchaço, que podem comprometer o membro atingido, além de causar tontura, náusea, vômitos entre outros sintomas. Em geral, a morte resulta da hipotensão provocada pela hipovolemia, falência renal e hemorragia intracraniana. Complicações frequentes incluem comprometimento do membro e falência renal.
A partir de estudos científicos, com o veneno da Bothrops jararaca, foi desenvolvido o Captopril, um dos medicamentos mais utilizados para tratamento de hipertensão.
O soro utilizado contra a picada desta serpente é o antibotrópico.
Cobras venenosas do Brasil

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